SETEMBRO AMARELO: O despertar de novos horizontes através da valorização da vida

“Falar é a melhor solução!”. Esta é a máxima utilizada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), associação filantrópica que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio em todo o Brasil, de forma voluntária e gratuita. O assunto ainda é tabu, de modo geral, mas ganha visibilidade neste mês com a campanha ‘Setembro Amarelo’, aberta oficialmente neste domingo (10/9).

Para a vice-coordenadora do CVV na Bahia, Josiana Rocha, a campanha – uma parceria do com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) – é importante para desmistificar o suicídio, a ponto de pais conversarem com seus filhos sobre o assunto. “É preciso abordar o tema sob um olhar cuidadoso e respeitoso “, afirmou Josiana, voluntária há 27 anos.

Os números crescentes preocupam a comunidade da área de saúde. Entre jovens de 15 a 29 anos, houve um aumento de quase 10% desde 2002, segundo dados do Mapa da Violência 2017 obtidos com exclusividade pela BBC Brasil. Na comparação internacional feita com base em levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU), o país apresenta taxas de suicídio relativamente baixas. Entretanto, em números absolutos, é o oitavo com mais casos no mundo, segundo ranking divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2014.

Por isso, cada vez mais são feitas ações de valorização da vida. O CVV, por exemplo, atende – há 55 anos – voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar. Tudo é feito sob total sigilo, por telefone, através do número 141, ou por e-mail, chat e Skype, 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. O atendimento presencial também funciona, mas é mais raro de ser solicitado.

'Assunto deve ser desmitificado', diz vice-coordenadora do Centro de Valorização à Vida sobre suicídio

Foto: Ilustrativa/Pexels

A essência do trabalho da associação filantrópica é funcionar “como uma amiga”. “Não substituímos profissionais, mas somos ouvintes e conversamos. Esse apoio faz diferença”, afirmou a vice-coordenadora Josiana Rocha. Na maioria das vezes, as pessoas entram em contato com o CVV alegando um ‘enorme vazio e solidão’, e o contato, ainda que à distância, com os voluntários – que se revezam em plantões semanais – traz uma espécie de conforto.

Da mesma forma pensa o psicólogo e especialista em saúde mental Gustavo Caribé. “A rede social do indivíduo é muito importante. Ter alguém que te escute fora do consultório, sem julgar!”, disse em entrevista ao Aratu Online. Ele salientou, ainda, que o contexto atual estimula a individualidade, mas nem todos conseguem se adaptar a isso. “Todo mundo precisa de calor humano e uma sensação de pertencimento”, afirmou Caribé.

O psicólogo falou também que a identificação da ideia de dar fim à própria vida é mais perceptível através do discurso do indivíduo. “O problema não está em pensar na morte, mas, sim, em atrelar os problemas à sua existência e achar que o suicídio é a saída para eles”, explicou.

Por isso a reestruturação cognitiva é trabalhada. Ou seja, o problema é reavaliado, para que possam enxergá-lo de outra forma. “Se o caminho que fazemos para o trabalho é interditado, vamos por outro percurso. É assim que devemos fazer, também, com as adversidades do cotidiano”, exemplificou o profissional.

CVV

'Assunto deve ser desmitificado', diz vice-coordenadora do Centro de Valorização à Vida sobre suicídio

Foto: Divulgação

O Centro de Valorização à Vida surgiu em 1962, em São Paulo, e é reconhecida como de Utilidade Pública Federal desde 1973. Em setembro de 2015 foi iniciado o atendimento pelo telefone 188, primeiro número sem custo de ligação para prevenção do suicídio que, neste primeiro momento, só funciona em fase de teste no Rio Grande do Sul. No entanto, a ideia é que o serviço se amplie para todo o território nacional. Para Salvador, a previsão de funcionamento é até dezembro deste ano.

São realizados mais de um milhão de atendimentos por ano no Brasil, em 18 estados mais o Distrito Federal. Para tal, aproximadamente 2 mil voluntários se dedicam à função, sendo 41 em Salvador com abrangência para toda a Bahia. Interessados em se tornar voluntários devem ser maiores de idade e passar por um treinamento.

Em datas comemorativas, como Dia do Amigo e Natal, muitas pessoas que entram ou já entraram em contato com o CVV aproveitam para agradecer ao voluntariado pelo apoio emocional. “É a sensação de dever cumprido”, ressaltou Josiana.

Para conhecer mais sobre o trabalho da associação, clique aqui. Já para saber sobre a campanha ‘Setembro Amarelo’, clique aqui.

 

Fonte: Aratu Online

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