‘Ataques sonoros’ a diplomatas americanos em Cuba eram ruídos de grilo, dizem cientistas

NOVA YORK- Em novembro de 2016, diplomatas norte-americanos em Cuba se queixaram de sons persistentes e agudos que teriam originado uma série de sintomas de saúde como dores de cabeça, náuseas e perda auditiva. Na época, levantou-se a suspeita de que as autoridades americanas estavam sendo alvo de ataques sonoros na ilha. Mais de dois anos após a polêmica, no entanto, cientistas chegaram a uma conclusão curiosa: o barulho que adoeceu os diplomatas era, na verdade, o canto de grilos cubanos.

Na última sexta-feira, cientistas da Universidade da Califórnia e da Universidade de Lincoln, na Inglaterra, revelaram a descoberta durante o encontro anual da Sociedade de Biologia Integrativa e Comparativa (SICB, sigla em inglês). Os pesquisadores analisaram gravações do sons, publicadas pela agência Associated Press, e concluíram que seus padrões acústicos, como taxa de pulso e as frequênicas mais fortes, eram muito semelhantes às de certos tipos de inseto.

Após analisar o som disponibilizado pela AP, os cientistas confrontaram seus padrões com os de outros insetos, comparando o ruído com outros disponíveis num banco de dados on-line da Universidade da Flórida. A partir disso, os pesquisadores chegaram à conclusão de que o som que adoeceu os diplomatas era muito próximo a uma espécie particular, o grilo de cauda curta das Índias.

Os pesquisadores atribuíram as pequenas diferenças entre o som registrado pelos diplomatas e o som do grilo de cauda curta à maneira como foi feita cada uma das gravações. Enquanto as autoridades gravaram o ruído de dentro de casa, sujeitos a interrupções, o som disponibilizado no acervo da Universidade da Flórida foi captado diretamente da natureza. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores emitiram o som do acervo da universidade dentro de um cômodo, e perceberam que ele reverberava de maneira semelhante ao que era ouvido na gravação dos diplomatas.

— Tudo o que posso dizer é que, definitivamente, a gravação divulgada pela AP é de um grilo — explicou Alexander Stubss, pesquisador da Universidade da Califórnia, ao jornal “New York Times”. — Os sons desses grilos são incrivelmente altos. É possível ouvi-los de dentro de um caminhão a diesel andando a quarenta milhas por hora na estrada.

Fonte: O Globo ( Foto: STRINGER / Reuters )

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